Bioque Mesito enviou email: "coloca em teu blog esta mandala poética". aí está BM.

Sentido horário: DP, Rosemary Rego, Antonio Ailton, BM, Jeanne Fiddan e Hagamenon de Jesus.
Escrito por dylpires às 10h46
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a repetitiva liturgia interior
tudo me perturba
até a formiga que insiste ser palavra dentro de mim
Escrito por dylpires às 10h04
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arte de Chris Mourão

aqui mora um solitário construtor de espantos.
aqueles que o procuram
dizem que há sempre o dia de vê-lo.
quando com o sol meio escondido
o vento é uma pergunta no rosto.
Escrito por dylpires às 16h43
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para um blog que não respondi
Cada um cria o simulacro de conforto que lhe convêm. a velhice nos torna antes de tudo(perversamente!) fisicamente simples. o espírito é domado mesmo.
Escrito por dylpires às 16h29
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um pedaço
onde está a alegria de um ourives. do que mesmo sorri um coveiro.
os enterram o tempo e a morte. como ao ator a memória.
um corpo que dança na paisagem do nada
é mais uma solitária tentativa de derrotar o espírito.
as coisas que encalham têm um silêncio selvagem.
cega é a máscara que me sopra
a travessia.
Escrito por dylpires às 09h51
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Um ano e meio
manhã de domingo a imagem da morta é um lenço esquecido
cão latindo longe me olho no espelho
a quanto tempo repito o que apetece o destino?
Escrito por dylpires às 17h44
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"De Lábios a ouvidos"
As coisas invisíveis
são as que mais cumprem destino.
Escrito por dylpires às 17h40
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VÉSPER
A estrela da tarde está
madura
e sem nenhum perfume
a estrela da tarde é
infecunda
e altíssima
depois dela só há
o silêncio
(Orides Fontela, Teia)
Escrito por dylpires às 17h35
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o menino do jardim D. Francisco e do colégio Sotero dos Reis
quando menino
corria do vento
insistia que a ponte
era um trapézio que se movia em segredo
não sonhava com bicicletas
nem com mergulhos no mar
pedalava num velho velocípede
que descascava em azul
como espantalho no quintal
o rosto herdado da tataravó
era uma escritura de solidão
para cada lágrima
inventava um cisco de brinquedo
as velhas ruas da cidade
encompridavam a melancolia
enxergava o mundo
através do sapato furado no dedão do pé
silenciosamente desconfiava
que se movia como os brinquedos do parque de diversão
uma alegria dada pelo espaço
não pelo tempo
Escrito por dylpires às 09h31
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paisagem
quando o sentir não é mais caminho para os pertencimentos
Escrito por dylpires às 17h53
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para o blog da cléo de páris
o ator:um escafandrista do absurdo:
um mergulho sem passagem de volta!
ainda que se retorne o que já não é mais o mesmo.
Escrito por dylpires às 10h45
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fragmento achado em 2062 nos subterrâneos da feira da praia grande
nuvens como palavras que persigo
talvez a imagem do medo
congelada no intestino de um deus
as razões quebram como onda
na alucinação do afogado
recordo que era uma ilha
solitária como a história do olho devasso
e que era ovo
e que era nada
Escrito por dylpires às 21h08
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morreu aos 44 anos no domingo passado o poeta cesar maranhão. tenho uma antiga lembrança dele. estava com os meus 16 anos morando com uma tia no maranhão novo. ele era morador do bairro. ouvia as pessoas comentarem que ele era poeta. sempre o via aos sábados nos butecos do lugar. nunca esqueci esta sedutora imagem. anos depois resolvi segui-la. reencontrei-o na condição de poeta também. sempre me tratava na lingua que só os poetas sabem. logo após saia cabisbaixo. o césar se foi vítima de uma cirrose hepática. e eu olho pra minha geração e vejo a sombra do mesmo caminho. o tombo eterno já começou a dar os primeiros sinais. explicitamente em dois e silenciosamente em um. anoo 2000 e não vai mudar nada e não vai mudar nada! 2020 e não vai mudar nada e não vai mudar nada! não passaremos dos 60. é isso mesmo. dane-se!
Escrito por dylpires às 18h08
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Você é sensível?
construi a memória de um brinquedo
as crianças escaparam pelo invisível
Escrito por dylpires às 11h08
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Para quem escrevo?
guardo as vésperas dos dias que não existiram
construo espelhos para vê-los
como um longo poema que nunca foi escrito
às vezes os enxergo como sapatos de palhaço
cuja alegria não tem janela
inamovíveis coisas que não me perdem de vista
Escrito por dylpires às 11h07
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